terça-feira, abril 14, 2015

O estranho caso da chave saltitona - Capítulo XIII


Trailer - Palmier Encoberto
Prólogo - Xilre
Capítulo I - Calma com o andor
Capítulo II - Dúvidas Cor de Rosa
Capítulo III - A Mais Picante
Capítulo IV - Mirone
Capítulo V - Pasme-se quem puder
Capítulo VI - A Uva Passa
Capítulo VII - Kiss and Make Up
Capítulo VIII - Amor Autista
Capítulo IX - Talqualmenteoutro
Capítulo X - Linda Porca
Capítulo XI - Sister V
Capítulo XII- A elasticidade do tempo

Capítulo XIII

Maria Eduarda levantara-se da cama devagar, a nudez a recortar-se na penumbra do quarto. Vestiu-se silenciosamente, apertando a custo o fecho das costas do vestido de veludo purpura. Hesitou em calçar-se, não fosse o ruído dos tacões acordar João Carlos, mas logo pensou que a carpete espessa abafaria o som e deslizou os pés para dentro dos sapatos pretos. Abriu a porta e, antes de sair, voltou-se para olhar o homem de quem tantas vezes se perdera e com quem, inevitavelmente, se reencontrara outras tantas. Sim, havia aquela questão do tamanho mas o talento dele com as mãos e aquele jeito sacana de falar era motivo para a endoidecer.
Percebeu-lhe os olhos abertos e voltou-se, de imediato, para a porta, franqueando-lhe a ombreira e fechando-a atrás de si. Ao rodar a maçaneta, sentiu o toque metálico da chave. Sorriu perversamente. João Carlos não tinha emenda e continuava a deixar a chave do lado de fora. Num impulso, rodou-a na fechadura, e meteu-a no decote, bem junto ao seio esquerdo. O contacto frio arrepiou-a, endurecendo-lhe os mamilos no veludo liso do vestido. Sabia que a dona da pensão tinha uma chave mestra mas era daquela que João Carlos iria à procura. 

*(batata quente que me veio parar às mãos através do JM.) 

22 comentários:

  1. Ah, Maria Tu! O toque de Midas desta "estória" só podia sair dessas excelsas e poéticas mãos. Muito bom!

    Beijo

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    1. Exagerado, tu! Mas muito obrigada!

      Beijos. :)

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  2. Um culminar perfeito:)
    Gostei muito, Maria.

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    1. Muito obrigada, Sandra. A culpa é do JM. :)

      Beijo. :)

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  3. Bela prosa! Isto para dizer que a M.ª Eduarda é uma gaja dada.

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    1. Ah, a Maria Eduarda tem andado por aí. Ela e a chave!

      Beijos, Agostinho. :)

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  4. Olá, Maria,
    para mim, este "esquema de escrita a várias mãos" - nem sei como lhe chame - era desconhecido, mas está interessante.
    E aqui, esta Maria Eduarda é uma rapariga matreira, tanto quanto a chave, que parece pulsar de "viva" ;)

    Bj amg

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    1. Já em tempos participei de uma história escrita desta forma e foi muito interessante.

      Beijos, querida Carmem. :)

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  5. As voltas que a chave dá! Gostei desta volta :-)

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    1. Obrigada, Sis V! O JM é que deu o mote... :)

      Beijos. :)

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  6. Parabéns Maria Tu! Está belíssimo.

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    1. Muito obrigada, Uvinha loira! :)

      Beijos. :)

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  7. esta chave, agora escondida em sítio recôndito, espera que outras mãos lhe deem a volta! Muito simples, muito elegante, muito cheio de narrativa.Gostei bastante!

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  8. Como irá agora essa chave endiabrada saltar do decote da Maria Eduarda? :)

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    1. Acho que alguém tem que ir lá buscá-la. Ou então, roubar-lha enquanto toma duche. :)

      Beijos, Luísa. :)

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  9. Bela continuação. Por onde andará a chave?? Temo que Maria Eduarda tenha fugido para o Brasil, local onde João Carlos não chegará tão depressa. Aguardemos novo episódio :)

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    1. Pois eu imagino-a a fugir de bicicleta e a perder a chave num ressalto do terreno! Eheheheheheh.

      Beijos, GM. :)

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  10. Venho tarde, a estas desoras, com a esfarrapada, mas verdadeiríssima desculpa de que só hoje é que li o teu texto (perdi o fio à chave depois do JM), e para te dar um grande beijo de parabéns por mais este bocado na história mais... quê? Mais rocambolesca, mais circulante, mais heterogénea, mais transversal de toda a blogosfera.
    :)

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    1. Chave que se preze anda às voltas, não é, LP? :)

      Beijos. :)

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