terça-feira, abril 07, 2015

Das nuvens e dos incêndios

(Tamara de Lempika)

De ti e desta nuvem; desta nuvem
branca como voo de pássaro
em manhã de abril; de ti
e da íntima chama de um fogo
que não consente extinção;
de ti e de mim fazer um só acorde,
um acorde só; para não te perder.


Eugénio de Andrade





De mim e deste incêndio; desta chama
laranja como um pôr do sol
em tarde de junho; de mim
e do recôndito desejo a alastrar
que nunca se apazigua;
de mim e de ti fazer uma fogueira
uma só chama; para não nos perdermos.

Glosa a Eugénio de Andrade de Maria Eu

11 comentários:

  1. De Eugénio a ti
    de ti a Eugénio
    quase o mesmo génio
    por te inspirares
    no que de genial
    tem um plural

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    1. Nem sei o que diga, Rogério... Muito, muito obrigada!

      beijos. :)

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  2. Do Eugénio em brasa

    "música do fogo
    em redor dos lábios

    Desatada
    à roda da cintura."

    "para não nos perdermos"
    concluiu a Maria.

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    1. Esta Maria é uma sonhadora, Agostinho. Nem a idade a trava, não tem emenda.

      Beijos. :)

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  3. Obrigada Maria.
    A cortesia é sua... eu gosto tanto deste poema

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  4. Sós não sabemos fazer nada ou quase nada

    O nosso Eugénio
    incomensurável

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  5. Este poema é lindíssimo...e o facto de colocares links nos posts, permite-nos redirecionar para outros blogues que jamais imaginariamos que existissem.

    Um beijo, Maria!

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    1. A Ana tem escolhas refinadas.

      Beijos, Tozé. :)

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  6. Belíssimo!
    Um só acorde, uma só chama - uno.
    Não há como se perder...

    bjn amg

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