sexta-feira, fevereiro 27, 2015

Negrume


(Jorge Pinheiro)

Maria Antónia levantava-se a cada manhã como se fosse a última. Não pela força que punha nos gestos ou pela alegria no olhar mas pela raiva com que se vestia de negro e pelo luto que lhe devorava a alma.

16 comentários:

  1. vivemos a morte dos outros até que a nossa nos encontre

    bj

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    1. Talvez estejamos mortos precocemente.

      Beijo, Ténis! :)

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  2. Há que se vista de luto por dentro
    E depois aguarde um enterro

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  3. O luto exterior nem é o pior.
    Vestido/a de negro por dentro é bem mais preocupante, penso.

    Beijinhos

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  4. É uma das situações que mais me incomoda observar nas pessoas, o luto continuado. Nunca sei se é porque efectivamente lhes brota da alma a tristeza durante tanto tempo, o que é muito triste por si só, ou se é por incapacidade de se instaurar um novo caminho onde a vida continua a pulsar, o que não é menos triste por si só.
    Belo quadro, Maria.
    (ainda não te disse que gosto do novo look do blogue)
    Beijinhos.

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    1. O luto apega-se-lhes à alma...
      Jorge Pinheiro é um nome maior da pintura em Portugal.
      (obrigada)

      Beijocas, Susaninha! :)

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    1. Eu acho que, para algumas pessoas, existe.

      Beijinhos, Ma. :)

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  6. A Maria Antonia personifica um luto duro, a viuvez das minhas avós e das minhas tias avós. O negro imposto acentuava-lhes à dor e a amargura perpetuada até ganharem pouso na sua última morada. Hoje o luto tem um peso emocional forte, o negro veste a alma.
    Gostei muito deste teu conjunto, Maria.
    Beijinho:)

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    1. Um luto que transborda...
      (obrigada)

      Beijos, Sandra. :)

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  7. Negrume rima com queixume mesmo que pintado de força e alegria. Amarelas.
    Bj e boa semanada, Maria.

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  8. Negrume interior...

    Beijos, Agostinho. :)

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  9. O luto dói e nem a cor, é o negro da alma que corroe as outras cores..

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