sábado, fevereiro 28, 2015

Aplausos

(Konstantin Bessmertby)

O público não confia em si; confia nos outros. Quando ouve alguém aplaudir com muita agressividade e intensidade, julga que algo de extraordinário, que não entende muito bem, está a ocorrer. Sente que não deve parecer ignorante, que se deve juntar ao aplauso para que ninguém perceba que não chegou lá.

(Tradução de Maria Eu)

Constança nunca gostara particularmente de jazz, muito menos de jazz mais contemporâneo e minimalista. Enfadava-a aquela música que lhe parecia desconexa, com os músicos em improvisações a sobreporem-se umas às outras, num acto que lhe soava tudo menos melódico. Aceitou, porém, o convite de João para assistir ao concerto de uma banda Norueguesa de renome. João olhava-a, encantado, enquanto ela se juntava à plateia nos aplausos entusiásticos. Se soubesse ler-lhe o pensamento...

24 comentários:

  1. Enfadada... confia-se ela um pouco mais em si!
    Gostei da mensagem subliminar.
    Beijo Maria

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    1. A vontade de agradar não resiste ao tempo...

      Beijo, SD. :)

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  2. Se a soubesse ler, seguramente naquele momento não estariam ali.
    Ai Maria, há por aí tanto João desatento!
    Beijinho Maria

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    1. Desatento, ele. Pouco franca, ela.

      Beijo, Sandra. :)

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  3. E logo o jazz minimalista, que vive da intuição dos músicos, de lerem o pensamento uns dos outros.
    O jazz exterior não era acompanhado pelo jazz interior.

    Boa noite, Maria :)

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    1. Intimidade.Havendo-a sabe-se.

      Boa tarde, Xilre. :)

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  4. Aplausos para a Natália Correia que eu ainda adoro*

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    1. Natália! :))) Já me disseram que tenho alma de Natália Correia. Foi o maior elogio que ouvi até hoje!

      Beijinhos, Til. :)

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  5. Querida Maria Eu,
    Já Rui Veloso cantava que não se ama quem não ouve a mesma canção...
    Um beijo,
    Outro Ente.

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    1. Huuummmm... Às vezes até se ama. Quem sabe se aprende a gostar da canção? :))

      Beijinhos, Outro Ente! (nick muito "do outro mundo")

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  6. Maria, onde existe aplausos, nem sempre é resultado de boa acção!:)

    Bom Domingo:))

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    1. Pode até haver boa acção mas alguns não a entendem o suficiente para aplaudir com gosto.

      Beijinhos, Legionário. :)

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  7. Somos feitos de mil e uma camadas. Às vezes, no entanto, é o improvável que nos descama
    Será que temos salvação? :)

    Um beijo :)

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    1. "How many masks wear we, and undermasks,
      Upon our countenance of soul, and when,
      If for self-sport the soul itself unmasks,
      Knows it the last mask off and the face plain?"

      Fernado Pessoa

      Acho que temos salvação, sim. :)

      Beijinhos, AC. :)

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  8. É a submissão ao politicamente correto. As pessoas vão em modas sem se esforçarem na compreensão do que têm pela frente.
    A algazarra estimula-lhes o disparate.

    Eu gosto de jazz porque gosto.
    Boa semana, Maria.

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    1. Modas, cedências por amor...

      Eu também gosto de jazz, aliás, de todo o tipo de música. No entanto, aprende-se a gostar ouvindo. Quem sabe a Constança não acaba a gostar também?

      Beijinhos, Agostinho. :)

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  9. Olá, Maria!

    Pois é, as mulheres, em geral, são muito boas "atrizes", é verdade, mas eu não consigo aplaudir, entusiasticamente, seja lá o que for, se não gostar, se não entender, minimamente.
    Os homens nunca sabem ler os nossos pensamentos, porque o nosso cérebro tem muitosssss compartimentos. Então, qual é a mulher k não consegue simultaneamente estar a cozinhar, olhar lá para fora para ver se está a chover, pke tem roupa no arame, falar ao telemóvel, de cabeça encostada ao ombro, mais o filho/a k lhe puxa a camisola, perguntando-lhe: mãe, posso ir, amanhã, àquele sítio?, ou ainda o marido k lhe diz: sabes onde pus os meus óculos? e mais a campainha da porta, que toca.

    Se estivesse com um "João", num sítio destes, ou noutro, bateria, levemente as palmas, assim, tipo, quatro dedos da mão direita em cima dos dedos da mão esquerda, mesmo não gostando. E porquê? Por uma questão de agradar ao "meu João", embora, depois lhe dissesse que não foi assim grande coisa. Se calhar, sou eu que não percebo nada disto, acrescentaria.

    Estive a ver o vídeo, que tu aqui indicas, k dura oito minutos e alguns segundos, e provavelmente, eu teria a mesma reação de uma espetadora, talvez outra "Constança", que semicerra os olhos, a cabeça tende a pender, notando-se que está farta daquele som, e olha que é jovem, na casa dos vinte.
    O diferente não significa que seja bom ou seja mau. Uns gostarão mesmo, e outros para fingir k entendem mto do assunto, aplaudem efusivamente.

    Sabes, Maria, eu, por vezes, não comento publicações em alguns blogues, porque nem sempre entendo o que o autor quer transmitir, e então, poesia, fico, completamente, no escuro, e tenho formação superior, mas não sou "mestra", em nada. Eu gosto de frases com princípio, meio e fim, ou seja, com sujeito, predicado, complemento direto e indireto, se necessário. E os complementos circunstanciais, tb, fazem falta.

    Imagina se eu escrevesse, uma "coisa", assim: raízes da bruma
    quebram o silêncio
    vozes esdrúxulas
    comem palavras
    o eu, por inventar.

    Percebeste alguma coisa? Eu não sei o que significa, se é que tem algum significado e sentido o que eu escrevi, mesmo agora, mas teria um público específico, a k chamo, "caviar".

    Boa semana.

    Beijinhos.

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    1. Fingir pode ser uma fuga ou uma cedência racional.
      Quanto à poesia...Amo a poesia e posso gostar de uma apenas pelo som, ou pela forma. É como as artes plásticas, em que não preciso entender para gostar. Fui aprendendo isso com a idade, e nem aprecio caviar! :P :P

      Beijinhos e uma boa semana para ti também. :)

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  10. Maria,
    O ser humano e sua complexidade. Não é bom nem mau, é ele próprio. Não é rara, a insegurança nem o receio de ser "gauche na vida", o que leva muitas vezes a guiar-se pelo "vizinho ao lado" - "O público não confia em si; confia nos outros" - quantos de nós, pode, com franqueza, assegurar que em nenhum momento de suas vidas não viveu uma ocasião, breve, que fosse, em que preferiu calar, com medo de errar, ou deixou transparecer um meio sorriso que não queria dizer nem que sim, nem que não... por não saber bem se devia ou não, ou por temer desagradar?
    bjn

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  11. Um comentário inteligente de uma mulher madura.
    É isso mesmo, Carmem.

    Beijo. :)

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  12. Somos o que vemos fazer.
    Author: Uva Passa

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    1. Somos, maioritariamente, o que vemos fazer.

      Beijos, Uva. :)

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