domingo, março 29, 2015

Da desarrumação das roupas






(Benoît van Innis)



Enfadam-na, as compras por atacado nos shoppings onde se (des)encontram tantos que nem se podem contar. Entra numa loja e passa devagar frente às roupas dependuradas por cores. Começa no bege, passa ao castanho, depois ao verde, ao preto, ao azul... Aflige-a que não fiquem alinhadas, da desarrumação a que as sujeitam as mãos que as tocam, as remexem, as enrugam. Os casacos que abraçam os vestidos só com uma manga, as blusas abotoadas em casas alternadas, os fatos descasados, assemelham-se-lhe aos casais com que se cruza: ela, apressada em entrar nas lojas e repetidamente abrir e fechar as cortinas dos provadores , ele, a deixar-se ficar no átrio, sentado na poltrona.
Sai sem comprar nada. Quem sabe encontra, numa esconsa loja de rua, um casaco abraçado a um vestido como se o não queira deixar?


10 comentários:

  1. Por vezes temos de deixar a vida nos “desarrumar” para sentirmos que estamos vivos!
    Bom domingo, Maria!:)

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    1. Desde que não deixe tudo de pernas para o ar. :)

      Beijos, Legionário, e boa semana. :)

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  2. Lindo, Maria. Adoro quando tu escreves. :-)

    Beijo e bom domingo!

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    1. Mas eu tenho escrito, Susana. :)

      Beijos e obrigada. :)

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  3. Desarruma veste
    pele com pele
    mira remira
    gosta desgosta
    despe!!!
    abandona
    tudo
    sai porta fora
    cansada danada

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    1. Irritante, esse jogo de veste e despe. Para comprar roupa, claro! :P

      Beijos, Agostinho. :)

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  4. Querida Maria,
    Estes dias de sol são avessos ao encafuar em cubículos sombrios.
    Beijo,
    Outro Ente.

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    1. Oh, se são, caríssimo Ente! :))

      Beijos. :)

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