terça-feira, dezembro 02, 2014

Plano de poupança

(Alex Bland)

"A nota de banco
Não ter dinheiro pode ser um problema. Simão não tinha dinheiro. E por silogismo, Simão tinha um problema. Para resolver o problema (solução precária), disfarçou-se de nota graúda (dava jeito ser um homem alto) e dirigiu-se a um banco para se destrocar por matéria fiduciária. Quando chegou à sucursal, disfarçado com a barba hisurta de Vasco da Gama e a gargantilha coçada de Camões, lembrou-se porém que era um velho escudo. E o bancário podia desconfiar da efígie. Na hora h depositou-se nu no cofre central como um plano de poupança."

Tiago Salazar, in Herbário



Presumo que existam muitos com o mesmo problema de Simão. Haja cofres de dimensão suficiente para albergar tantos quantos carecem de dinheiro.

18 comentários:

  1. Talvez, no fundo, Simão seja a face mais visível do empreendedorismo que nos resta...

    Um beijo :)

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    1. O empreendedor do nada...

      Beijinhos Marianos, AC! :)

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  2. Tanta gente com dificuldades enormes... não há cofres suficientes infelizmente
    beijinhos Maria

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    1. O cofre está do avesso, vazio dentro e cheio fora... de miséria!

      Beijinhos Marianos, I! :)

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  3. Boa noite, a Simão e outros como o Simão são considerados números, para os que pensam que são donos dos números o cofre arranjado é insuficiente, um dia os supostos donos vão ter cofres de lata para eles próprios.
    AG

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  4. Embora retrate um problema, este é um texto bem divertido. :)

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    1. Irónico, muito irónico!

      Beijinhos Marianos, Luísa! :)

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  5. Cada vez há mais gente com um “cofre de preocupações"!:(

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    1. Esse seria de fechar e deitar fora a chave ou esquecer o código de acesso!

      Beijinhos Marianos, Legionário! :)

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  6. A ironia é um nível superior de inteligência

    (para quem não tenha percebido,
    isto que deixei dito
    é um piropo)

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  7. :)))) Tiago Salazar é dono de uma ironia fina, sem dúvida, Rogério!

    Beijinhos Marianos! :)

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  8. Havendo amigos e amigas que nos mimem como nunca sonharíamos, temos um pouco do problema esbatido. E até à distância em alguns casos, se contornam essas e outras dificuldades.

    Nunca tinha ouvido falar de Tiago Salazar. Oferecem-me muitos livros, mas deste autor nunca calhou.

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    1. Verdade, Sapere, a amizade continua a ser um bom investimento! :))

      Beijinhos Marianos e obrigada pela visita e pelas palavras! :)

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  9. Incentivaram-nos a ter uma armário grande. Outros vieram depois e disseram-nos para colocar a roupa no prego, porque afinal estávamos de tanga. Realmente está-se melhor nu. Depende é da caixa, ou do cofre, como lhe quiseres chamar. Alguém nos há-de embrulhar...

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    1. Ou então, deixam-nos nus, abandonados numa berma...

      Beijinhos Marianos, meu Tio favorito da blogo! :)

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  10. Primeiro era a troca, depois, um espertalhão, “alto lá, cria-se uma moeda com valor igual para ricos ou pobres”; com isso o gajo deixou de ter que palmilhar Seca e Meca pois o pilim ir ter com ele.
    O Simão entrou na história da nota precisamente quando, para facilitar a vida ao espertalhão, se acabou com a nota(sujeito, quem acabou?) : embrulharam o Simão numa caixa e "isto é reciclável? lixo, melhor, incineradora. Lixa-se esta malta toda!”.

    Foi assim, Maria?
    Bj.

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    1. Já esteve mais longe, esse final (como a "solução final")!

      Beijinhos Marianos, Agostinho! :)

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