domingo, junho 21, 2015

O amor à arte




A Vitória de Samotrácia, a maravilhosa escultura grega, de vestes drapeadas que encima a Escadaria Darú, no Louvre, empreendeu uma viagem pouco usual, embalada num caixote de madeira, a escassos dias da perda de Paris para os alemães, durante a II Guerra.




Também Mona Lisa é enviada numa dessas viagens, sorriso encoberto pelas ripas de madeira, à espera de regressar ao seu lugar de destaque,  a uma distância prudente dos milhares de olhares que, tantas vezes, se desapontam com a sua (aparente) pequenez.


23 de Junho de 1940, os alemães entram, vitoriosos, em Paris, mas o Louvre está vazio de qualquer obra de maior importância, bem como muitos outros museus dos quais Jacques Jaujard (mais tarde membro da Resistência francesa) é director geral. Requisitando castelos por toda a França, para onde enviou centenas de obras de arte, num plano gizado muito antes do início da II Guerra, deixando, no seu lugar, algumas cópias de gesso, no caso das esculturas e/ou arte de pouco relevo. Com elas, iam os seus guardiões, funcionários dos museus, acompanhados das famílias. Jeu de Paume não tem igual sorte e a colecção de arte moderna, assim como algumas colecções pertencentes a judeus, são tomadas por Goering, iniciando uma rapina, por parte dos alemães, a públicos e privados da qual, ainda hoje, vêm à luz uma ou outra obra descobertas por acaso.

Jaujard, que teve o rasgo de salvar um espólio património da Humanidade, num jogo de cintura que foi capaz de enganar alemães e, ainda, o famoso governo de Vichy, teve o amargo de boca de ser acusado de colaborador aquando do final da ocupação. Valeu-lhe a defesa de quem, nos lugares cimeiros, conhecia a sua vida dupla, sempre com o fito de proteger a arte da voracidade do inimigo.
O Louvre não seria o Louvre sem Jaujard.

* Este post foi escrito após o visionamento de um excelente documentário na RTP2, na noite do dia 20 de Junho.

19 comentários:


  1. E quantos não morreram em sua defesa e por amor a ela.

    Beijos
    (^^)

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    1. A História está cheia dessas histórias. :)

      Beijos, querida. :)

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  2. Acho que acabo de entender o sentido do sorriso da Gioconda

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  3. E nós não seríamos os mesmos sem estas Obras de Arte...

    Um bom domingo, Maria :)

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    1. Não, de facto! Vejamos os livros e as histórias que se geraram à volta da Gioconda, por exemplo.

      Beijos, Miss Smile. :)

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  4. a arte é o que resta de humanidade na nossa espécie...

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    1. Toda ela, não é, Manel? Olha-se (ouve-se) a arte e estamos todos lá.

      Beijos. :)

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  5. A arte é a parte visível do que a humanidade tem de mais belo.

    Beijihos

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    1. Se é, Pérola! Sempre me impressionou particularmente aquela estátua alada, orgulhosamente guardiã de uma escadaria num dos mais famosos museus do mundo. A história de Jaujard é muito interessante!

      Beijos. :)

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  6. Todos somos responsáveis quando não nos insurgimos contra a bárbarie. E ainda hoje há muita obra de arte em mão alheias, sem possibilidade de regresso à casa de onde foi sonegada.
    Boa noite, Maria Eu.
    beijinho,
    Mia

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    1. Impressiona, saber dessas obras roubadas a coberto de desmandos.

      Beijos, Mia. :)

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  7. Os Alemães por onde passava arrecadavam tudo, e muitas vezes destruíam.
    Hoje a Alemanha é um país rico, enquanto outros ficaram na pobreza.
    Gosto do seu texto.
    Bjinho.

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    1. A Alemanha esquece-se do seu passado e nós prestamos vassalagem a muitos que a não merecem.
      Muito obrigada, António.

      Beijos.

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  8. Belo trabalho, Maria.
    Recordar estas peripécias em que as pessoas correram risco de vida para salvaguardar aqueles tesouros da cultura é de louvar.
    Tenho ideia de ter visto o documentário que referes.
    Bj

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    1. Obrigada. Apenas tentei dar uma rápida visão daquilo que me foi mostrado no documentário. Por sinal, muito bom!

      Beijos, Agostinho. :)

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