domingo, novembro 09, 2014

O verbo enlouquecido

(Adi Bezalel)



No descomeço era o verbo.

Só depois é que veio o delírio do verbo.

O delírio do verbo estava no começo, lá

onde a criança diz: Eu escuto a cor dos

passarinhos.

A criança não sabe que o verbo escutar não

funciona para cor, mas para som.

Então se a criança muda a função de um

verbo, ele delira.

E pois.

Em poesia que é voz de poeta, que é a voz

de fazer nascimentos

— O verbo tem que pegar delírio.



Manoel de Barros


 
Tristes, aqueles que não ouvem a cor dos pássaros!
Tristes, aqueles que são cegos às vozes dos poetas!
Felizes, os que (re)inventam o verbo e o vestem de loucura!

16 comentários:

  1. Delíro no verbo enlouquecido de um mergulho nas nuvens... E na ousadia deste, que uma delas seja como algodão doce... Bem doce.:)

    Uma doce semana Maria:))

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    1. Prefiro chocolate a algodão doce mas a imagem é bonita! ;)

      Beijinhos Marianos, Legionário, e uma semana docinha para ti também! :)

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  2. O meu daltonismo não me impede de ouvir as cores dos pássaros...
    Já viste as penas com que me dispo?
    :)

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    1. Tu és multicolor, Rui!

      Beijinhos Marianos! :)

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  3. Eu consigo ver o cantar dos pássaros
    ver o som
    que bom!

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    1. Mas isso eu já sabia! Tu és um poeta! :)

      Beijinhos Marianos, Rogério! :)

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  4. As cores têm som, cheiro, paladar... sentimos-lhes a temperatura, umas são frias outras quentes... e sem elas e vida seria muito muito triste!

    Esta arara está brutal! E bem a propósito o tema do Caetano.

    Beijos de todas as cores
    (^^)

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    1. Sem dúvida, Afrodite! A cor é sentimento...

      Beijinhos Marianos em girândola de cores! :)

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  5. Quem não sabe ouvir as cores não percebe o poder das palavras :)
    Beijinhos :)

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    1. Nunca irá perceber! ;)

      Beijinhos Marianos, I! :)

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    1. Nada como fazer o verbo delirar! :)

      Beijinhos Marianos, Luísa! :)

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  7. As crianças são poetas natos. Capacidade que alguns perdem quando nascem. Recordo um dia em o meu filho mais novo me disse, "os teus olhos brilham como as estrelas mãe."
    Assim saído do nada, foi a coisa mais bonita que alguém me disse até hoje.
    Por vezes desejo que ele ficasse sempre assim, pequenino, com a sua sensibilidade de pequenino, de quem vê mais do que aquilo que os olhos vêem.
    Beijinhos Maria

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    1. As crianças e, em particular, os filhos são donos de muita e bela poesia.

      Beijinhos Marianos, Mafy! :)

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  8. Vim aqui pela agulha do Rogério e não resisti. Isto é bom!

    Na conjugação do ser
    que resulta do verbo
    é que nasce a cor,
    evolui consoante o calor,
    até que os pássaros
    lhe fazem o som
    em tons quentes.
    Quem acredita vê.
    É isso que sentes?

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    1. Que bem, Agostinho! :)
      Muito obrigada pela visita e pelas palavras!

      Beijinhos Marianos! :)

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