segunda-feira, agosto 24, 2015

Testamento

(Lucian Freud)


Que me não prolonguem a vida em estando eu morta por dentro!



33 comentários:

  1. Não aceito teu testamento
    Só querendo, se morre por dentro!
    A outra morte
    é ela quem escolhe...

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    1. Quando vemos quem amamos sem vida interior não queremos ter a mesma sorte...

      Beijinhos, Rogério. :)

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  2. Por acaso, ontem estava a pensar nisto, mas em relação à morte do corpo. Também "exijo" que não me sujeitem a prolongamentos.
    Quanto à morte interior, imagina o que seria se, de cada vez que morremos por dentro, nada nos prolongasse a vida. Morríamos efectivamente ao primeiro desgosto...

    Beijinhos, Maria :)

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    1. Refiro-me à morte da consciência...

      Beijos, Lindinha. :)

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  3. Existe a morte derradeira e existem as outras formas de morte e para as outras formas de morte, há a esperança de ressuscitação. E a esperança, trava o cumprimento desse tipo de testamentos.

    Boa noite, Maria :)

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    1. Não quando começas a não te reconhecer, Cláudia...

      Beijos. :)

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    2. Maria, eu fui cuidadora, durante um pouco mais de oito anos de uma pessoa com alzheimer. A minha avó materna, a quem amava profundamente. A minha avó deixou, obviamente de saber quem era. Deixou de saber quem eu era, mas mesmo sem saber quem eu era, nunca deixou de gostar de mim e de me sorrir, fosse eu quem fosse. Deixou de saber de si, mas não perdeu a capacidade de sentir afeto e isto eu considero, "ressuscitações" em mortes que acontecem por dentro e que só a derradeira leva.
      Eu percebo perfeitamente essa frase do post, eu também não queria que me deixassem continuar a viver "morta por dentro", mas esse é um pedido feito, enquanto se tem consciência de si? e depois, como seria?. Seja como for, eu hoje sei, por experiência própria, que não ia cumprir esse tipo de testamento. Se a minha avó me tivesse pedido antes uma coisa dessas, por exemplo, eu não ia conseguir cumprir. A minha avó só esteve acamada dois meses antes de morrer e tenho a certeza que no meio de muitos momentos dolorosos, também teve momentos felizes, porque sorria muitas vezes e outras, ria mesmo das minhas parvoíces, (puxei por ela o mais que consegui) e isso é vida por dentro, de uma maneira diferente daquela que conhecemos e que não queremos conhecer, mas ainda assim, é vida por dentro.

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    3. É difícil, de facto.
      Fico impressionada com a tua dedicação, Cláudia!

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  4. O tema da eutanásia e da distanásia foi o que escolhi, há muitos anos, para o meu trabalho de final de estágio de advocacia.
    Beijinhos

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    1. Pergunto-me se vale a pena prolongar algo que já pouco tem de vida.

      Beijinhos, Pedro

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    2. A tecnologia existe.
      Mas é brutal obrigar uma pessoa a sobreviver em estado vegetativo.
      Nessa situação preferia o ponto final.
      É o melhor para todos.
      Beijinhos

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  5. Da maneira que escreve acredito que isso irá demorar pelo que não tenha pressa.

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    1. Muito obrigada! :)
      Vemos quem amamos a perde-se dentro de si mesmo e é inevitável questionarmo-nos.

      Beijinhos, Urso Misha. :)

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  6. Talvez morramos e renascemos um pouco a cada dia.

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    1. Talvez, enquanto estivermos lúcidos.

      Beijos, Isabel. :)

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  7. Quantas vezes morremos cá por dentro, quantas acabamos por renascer. Sempre existe algo que nos faz ter esse querer e ainda bem. Abraço Maria

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    1. Sim, mas só enquanto conseguimos percebê-lo, GM.

      Beijos. :)

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  8. Ser apenas corpo sem vida dentro é doloroso.
    :)
    Beijinho Maria

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    1. Para o próprio, haverá momentos em que não seja mas para os outros...

      Beijos, JT. :)

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  9. Quando estamos mortas por dentro é tão difícil de dar e amar os outros!
    Bela escolha no quadro, gosto muito do Freud.
    beijinhos

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    1. Há muitos tipos de morte intrior. Uns mais graves do que outros.

      Beijinhos, ars. :)

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  10. Sabemos pouco da morte. Parece normal que assim seja. A nossa triunfante cultura tem aversão à morte e ao limiar que a anuncia. A não ser metafóricamente, não me lembro de conhecer pessoas mortas por dentro, conheci algumas em que a comunicação deixou de ser possível. A morte interior mesmo nas pessoas profundamente sedadas parece não ocorrer devido a "uma pequenina luz bruxuleante" como diz no poema Jorge de Sena.

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    1. Quanto mais envelheço, mais duvido que essa luz bruxuleante exista. Talvez envelhecendo ainda mais a vislumbre.

      Beijinhos, Luís. :)

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  11. Nestes casos, morre-se tudo de uma só vez. E é tão cruel que nos esmaga completamente.

    Um abraço apertado, querida Maria

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    1. Cruel é o melhor adjectivo.

      Outro de volta, querida Miss Smile. :)

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  12. Maria, a ausência de vida, interior, é a causa mais frequente do desequilíbrio total de nossa vida, em qualquer dos seus momentos.
    A vida interior, por falta de “alimento substancial”, vai assim desaparecendo até morrer e ser substituída pelo activismo desordenado que domina os nossos tempos.

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    1. E, ainda, há quem não seja capaz de tê-la por limitações que lhe são estranhas.

      Beijinhos, Legionário. :)

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    1. Ainda não, A. Jorge, ainda não.

      Beijinho. :)

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  14. Que frase superior esta tua! Olá Maria!

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    1. Olá, Uva gostosona! :))
      Obrigada, muito.

      Beijos. :)

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  15. Há gente que põe a vida no prego e
    Há gente que põe um prego na gente
    E há morte que vem com a gente
    Desde que nasce até à morte.

    Acho que te entendi, Maria.
    Bj.

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    1. A matur(a)idade gera entendimento.

      Beijinhos, Agostinho. :)

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