O branco
alvo
do
teu vestido
um oásis
Estava-se a fingir de morto, o amor! Apanhou-os ali mesmo, onde o coração se escondia, desprevenido e vulnerável, parados numa obstrução do trânsito.
Aquecia-se com uma réstia de sol que rasgava, insistente, as nuvens cinzentas. O banco do jardim era de pedra e estava molhado, tivera que valer-se de um saco de plástico que usava para as compras para se sentar.
Respira devagar, a tosse persistente não lhe permite fazê-lo de outra forma. Sente o ar
frio a entrar, irritando-lhe a garganta, fazendo-a tossir de novo. Os passantes
olham-na de lado, os ombros sacudidos pelos espasmos, nariz e boca cobertos
pela máscara ffp2, afastando-se.
Fica só o frio, apesar daquele sol tímido que teima em não
se eclipsar.
(imagem daqui)
Passo a passo
fica um espaço
na calçada
Penumbra-se
a pedra mole
o coração
(Sebastian Fernandes/Artmajeur)
Sentava-se no lugar do costume,
na posição do costume, com os livros do costume, numa rotina cada vez mais muda.
Lentamente, parecia fundir-se com o cadeirão que, de dia para dia, ia tomando
paulatinamente a forma do seu corpo. Ou seria o oposto, e era ela que parecia
vestir a forma do cadeirão, arriscando-se a desaparecer na profusão de flores
cor de vinho do tecido?