quinta-feira, janeiro 21, 2016

Do efémero das asas


(daqui)





Em torno ao candeeiro desolado

Cujo petróleo me alumia a vida,

Paira uma borboleta, por mandado

Da sua consistência indefinida.

Fernando Pessoa







A borboleta, ciente de que terem-lhe crescido asas a aproximava da morte, deixou-se adormecer na luz ardente que adivinhava fatal.


22 comentários:

  1. Mas ter asas, voar
    nem que seja por um só momento
    dá para adormecer
    em paz e em sossego

    É que voar
    já é romper com a fatalidade
    Que importa o resto?

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    1. Um golpe de asa. Um momento feliz.

      Beijinhos, Rogério. :)

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  2. A crisálida que caminha para morte.
    Bonito.

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    1. Inevitavelmente...
      Obrigada.

      Beijinhos, Pedro. :)

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  3. Maria, ás vezes aquilo que pensávamos ser eterno, acaba num instante e o que imaginávamos efémero, pode durar uma vida toda...

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  4. Já que o fim é certo que seja eu a decidir. Escolhas.
    Bela escolha, a música.
    beijos no coração Maria

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  5. "Primeiro abre-se a porta"
    a gente que vem em paz
    Há quem se descalce
    de preconceitos e entre
    e depois das apresentações se sente
    nas tábuas do chão
    para a partilha da tarte
    - a de maçã

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  6. A minha tarte favorita, a de maçã!

    Beijinhos, Agostinho. :)

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  7. Adormecer é a preparação para morte.

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    1. Pode ser uma morte doce se tiver sonhos, o sono...

      Beijinhos, Luís. :)

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  8. ...
    Há então um bater d'asas
    fica tudo incandescente
    é a agonia que se sente
    à chegada da morte
    (que sorte...)

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    1. Morrer incandescente, iluminando tudo. Sorte, sim!

      Beijinhos, Agostinho :)

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  9. Pois que a mim unca me cortem as asas que eu não sei viver sem elas... :) Beijinho

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    1. Antes asas efémeras do que não tê-las.

      Beijos, GM. :)

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  10. No filme Uma Vida de Insecto, há uma cena em que estão duas borboletas (ou serão moscas?) a ronda um candeeiro. Uma começa a aproximar-se perigosamente enquanto a outra grita para que não continue. «Mas é tão bonita, a luz...» e puff estão as duas estorricadas.

    O que é bonito mata. :)

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    1. Nem sempre, acho. Há que saber como realizar a aproximação.

      Beijos, Carla. :)

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