Quando lhe deram ordem de reclusão,
Maria Antónia ruborizou, cerrou os punhos, mas sabia que era o seu
destino.
Na primeira noite, agitou-se na cama
desconhecida em sonhos suados até que lhe entraram porta dentro,
acendendo a luz branca e crua sem piedade.
O dia não tinha clareado, de tal modo
que nem os pássaros se faziam ouvir. Não obstante, tinha-os visto
da janela no dia anterior, nas árvores que sombreavam o parapeito
em cujos ramos os pequenos canoros se afadigavam em voos curtos e alegres.
Seria apenas o início de um dos dias
longos, entre pisos e salas diferentes, onde pontuavam outros como
ela, reclusos de roupão e chinelos, ombros sacudidos por tosses
profundas.
(Agnes Obel - Riverside)

ResponderEliminar💙🌻
Um beijo doce embrulhado num abraço quente
Outro para ti, Clarinha! :)
EliminarA meio da vigília, uma nuvem negra passou diante da lua tudo
ResponderEliminarficou negro de um modo sinistro, Maria Antónia pensou ser aquele
um sinal de colapso.
Era como se fossem dez homens ou um exército a comprimir-lhe o peito,
com tanta falta de fôlego, convenceu-se que o coração lhe ia falhar,
o anjo da morte a pairar sobre ela.
E o anjo falou e disse: nunca vi ninguém arquejar tão fundo. Queres ser tu a cavar
ou preferes que eu o faça?
- é preciso responder? - perguntou a Maria Antónia.
- é - disse o anjo.
Maria Antónia sorriu e respondeu: - um anjo belo como tu não deve sujar as mãos.
Foi assim que Maria Antónia se encontrou na presença do mais belo anjo
que jamais vira.
Ambos sorriram ao mesmo tempo e disseram:
- Ainda bem que nos encontramos!
Quando acordou sentiu a falta daquele Anjo.
Oh pra ti, ali em cima, com o teu anjo! :)
EliminarBeijos, KK
e foi para isto que a Maria Antónia se avoou?
ResponderEliminarporca miséria
KK ... ufa
Ela avoa-se outra vez, não tarda nada! :)
EliminarOs pássaros estão sempre lá
ResponderEliminaré a única certeza que temos
se seus voos são alegres?
Parecem, mas não sabemos...
A propósito de pássaros
viste por acaso alguma andorinha?
Nem todos os pássaros hão-de ser sempre alegres, verdade.
EliminarAs andorinhas andam por aí, em voos pequeninos.
Beijinhos, Rogério :)
Uma mente aprisionada?
ResponderEliminarE corpo.
EliminarBeijinhos, Pedro :)
Maria Antónia está num hospício? Pobres almas atormentadas as que estão nesses lugares...
ResponderEliminarNum hospital.
EliminarBeijos, LA :)
Gostei bastante de ler:))
ResponderEliminarHoje:-Quando o sol brilha em desalento.
Bjos
Votos de uma óptima Quarta - Feira.
Obrigada, Larissa!
EliminarBeijinhos :)
"Reclusos de roupão e chinelos"...
ResponderEliminarComo escapar essa condição?
Os chinelos de Maria Antónia ou Manuel José, tanto faz, carregados de chumbo intestino, rompem o linóleo do chão até ao dia em que os retêm na cama, por economia nas despesas de manutenção. E percam a ideia...
Um cravo é um beijo, Maria Eu.
Sabes que é algo que costumo dizer quando me prendem, ou aos meus, no hospital, que rompo o chão dos corredores.
EliminarCravo vermelho é a minha flor favorita, Agostinho, obrigada!
Beijinhos :)
Muito bonito ! Gostei imenso de ouvir a dinamarquesa Agnes Obel. De algumas maneira fez-me lembrar alguma música celta cantada pelas irlandesas !
ResponderEliminarObrigada, Ricardo! A Agnes Obel é maravilhosa!
EliminarBeijinhos :)
https://www.youtube.com/watch?v=yN-rwpZob54
ResponderEliminarTão bonito, H74!
EliminarBeijinhos :)
Triste mas bonito. Os dias de reclusão são vazios, assim como se sentirá a alma dos reclusos...
ResponderEliminarBom feriado. Beijinho
Sonhar a Liberdade nem sempre é possível...
EliminarBeijos, GM :)
Ver o que é suposto ser o fantasma de uma paciente "sentada" no peitoril da janela de um quarto de hospital é um quadro brutal; faz-me lembrar quantas pessoas de idade são deixadas em reclusão e ao abandono pela própria família em muitos hospitais.
ResponderEliminarBoa tarde, Maria:)
É arrepiante!
EliminarBoa tarde, Legionário! :)
Bendito comentário Maria :)
ResponderEliminarBeijinho
que texto impressionante, sofri por Maria Antônia.
ResponderEliminarEla estava a sofrer...
EliminarObrigada!