quarta-feira, outubro 28, 2015

Viagem




Hoje, finalmente,  ganhei coragem e dei-te a mão. Não estava bom tempo, tremia, os olhos marejaram-se-me de lágrimas e apertei a tua mão na minha ali mesmo, no lugar onde, ano após ano, trabalhámos,  conversámos, sorrimos e, algumas vezes, também chorámos.
Esqueci aquela regra (existe, ainda que não publicada em lado algum) que diz não deverem um homem e uma mulher, adultos, dar as mãos assim, do nada.
Devia tê-lo feito quando me disseste que não vacilasse, naquele outro dia. Que me sabias capaz para dar um passo em frente. Ainda, quando te disseste bem, lendo eu nos teus olhos que estavas mal (covarde, fingi acreditar).
Perdoar-me-às, estou certa, com esse teu sorriso sempre doce, que só agora caminhe contigo, aninhando a tua mão na minha, até à Luz, só para te ver partir, blusão de couro, a acelerar na tua moto.


35 comentários:

  1. Nunca é tarde para o que devemos ou queremos fazer. :)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Foi-o para mim, Luísa. Estas mãos só se deram para lá do tempo da vida.

      Beijos.

      Eliminar
  2. Dar as mãos,
    tem tanto de simples
    como de difícil

    (se tem mota
    estou certo que volta)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Um dia, Rogério...Um dia, talvez o encontre para lá do azul.

      Beijinhos.

      Eliminar
  3. Eu sempre soube que devia ter aprendido a andar de bicicleta.

    ResponderEliminar
  4. O tempo a encarregar-se de fazer as devidas afinações.
    Que belo azul, Maria!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Não fora esta a sua última viagem e assim seria, Isabel.

      Beijos.

      Eliminar
  5. *•.¸♡¸.•*♥*•.¸¸.•*♡*•♥ ¸.•*♥*•.¸.•*♡*•.¸.•*♥* ★MaRiBeL★
    ┊  ┊  ┊  ♥E
    ┊  ┊  ♥V
    ┊  ♥O
    ♥L

    ResponderEliminar
  6. Respostas
    1. Going on to be it up in the skies!

      Beijinhos, Pedro. :)

      Eliminar
  7. Querida Maria Eu,
    Damos as mãos, mesmo quando só queríamos fechar os olhos...
    Um abraço apertado,
    Outro Ente.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Apetece fechar os olhos, tantas vezes...~

      Obrigada. Muito.

      Outro abraço.

      Eliminar
  8. Maria, por vezes a viagem é uma sucessão de irreparáveis desaparições...

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Irreparáveis... Essa é a palavra mais certa.

      Beijinhos, Legionário.

      Eliminar
  9. Quer coisa romântica Maria... conta-me tudo!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Não é romântico, Uvinha, é uma expressão de amizade profunda por alguém que partiu, definitivamente.

      Beijos. :)

      Eliminar
  10. (...)
    "até que as tuas mãos
    envolveram meu peito
    e ali como duas asas
    repousaram da viagem."

    Pablo Neruda

    Um abraço apertado, querida Maria

    ResponderEliminar
  11. Uma hesitação, um desfasamento no tempo... muitas vezes aprendemos certas coisas tarde demais. Beijinho

    ResponderEliminar
  12. A verdade é que é sempre tarde para começarmos as coisas do inicio. Às vezes mais do que mãos dadas precisamos é de pés livres...

    Um grande abraço, Maria Tu.

    ResponderEliminar
  13. Os gestos mais simples muitas vezes são impossíveis de ser feitos...
    Um grande beijinho

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Chega um tempo que é de tristeza...

      Beijos, papoila, e obrigada.

      Eliminar
  14. O grande filme do "Easy Rider", tão polémico na altura, mas que hoje é uma inocência depois de vermos a sociedade que temos !!!
    Gostei Maria, aliás tenho dificuldade em não gostar das tuas publicações !

    ResponderEliminar
  15. Também tenho este vinil !!! :)))) ... que tem uma música "preversa" :))) dedicada às Mulheres de um álbum dos Stepenwolf chamado "For Ladies Only", assim como se chamava a música !!!

    ResponderEliminar
  16. Hoje são comentários às prestações... Se puderes procura a capa do álbum e vais perceber a preversidade !!! :)))

    ResponderEliminar
  17. A viagem foi bonita, Maria Eu.
    Beijinhos

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Foi... Preferia que não tivesse sido a última.

      Beijinhos, Observador.

      Eliminar
  18. Há amores assim Amizades que pelas asperezas do tronco comum inibem braços e mãos de completar destinos comuns.
    O tempo passa e o vento rapa a esperança de ser-se feliz.

    ResponderEliminar
  19. Amigos que não se dão as mãos enquanto podem e, depois, lamentam não o terem feito.

    Beijinhos, Agostinho. :)

    ResponderEliminar