Os caçadores de almas e os de vidas
andam sempre aos pares. Distinguem-se os primeiros por trazerem um
varapau com mordaças, enquanto os segundos cravam os dentes numa
faca de aço com fio acerado e brilhante.
Às almas, as mordaças tomam-lhes a
expressão, abafam-lhes o brilho.
Às vidas, roubam-nas depois, num golpe
rápido, sangrando-as sem piedade.
Pretensamente, ao cruzar a soleira da porta, atravessava a fronteira da dor. Estranhamente, essa dor não ficara para trás, naquele lugar onde adivinhava/sabia uns ombros frágeis a agitarem-se em soluços, um olhar a arder nas suas costas, como que adivinhado o colapso interior, o sentimento de culpa a apunhalar-lhe o coração.