Era uma vez uma menina muito, muito bonita que era, pode dizer-se com propriedade, a menina dos olhos de sua mãe e avó.
Quando fizera 11 anos, a avó tinha-lhe oferecido um casaco vermelho de lã com capuz que lhe ficava tão bem, tão bem, que toda a gente passou a chamá-la de Capucinho Vermelho, que ear como se chamava também uma outra menina muito, muito bonita que havia num conto que a avó lhe contava quando ela era pequena e de que ela gostava tanto, tanto que, à noite, antes de ela adormecer, ainda pedia às vezes à avó para que lho contasse outra vez.
O conto contava a história de uma menina que era comida por um lobo e Capuchinho Vermelho costumava perguntar à avó porque é que a mãe dessa menina não correra a ajudá-la e não matara o lobo e porque é que o pai nem sequer entrava na história.
*Não sei", respondia-lhe a avó. "Foi assim que aprendi. Talvez os pais dela, como os teus, estivessem separados, ou talvez o pai tivesse morrido..."
"Mas a mãe, porque é que a mãe não matou o lobo?", insistia Capuchinho.
"Sei lá, minha querida", dizia a avó encolhendo os ombros cheia de paciência. "Já ninguém se lembra desses pormenores, é uma história muito antiga que ensina às meninas que não devem dar conversa a lobos..."
E a avó recitava-lhe uns versos que terminavam assim:
"Cuidado, meninas, que os lobos de bons modos
são os mais perigosos de todos!"




