sexta-feira, dezembro 06, 2013

Azul

If I should cast off this tattered coat, 
And go free into the mighty sky;
If I should find nothing there
But a vast blue,
Echoeless, ignorant, -
What then?

(Alpine figure,  Arsen Bereza)

Se eu atirasse fora este casaco em farrapos,
E voasse livremente para o firmamento poderoso;
Se não encontrasse lá nada
A não ser um vasto azul,
Sem eco, ignorante, -
Que faria eu?

Stephen Crane, in  "O sapo no horizonte", Tradução de Hélio Osvaldo Alves


Nada. O firmamento não é azul.

quinta-feira, dezembro 05, 2013

Sim, sou banal. Mandela morreu.

Banal. Será hoje o que serei. Milhões darão esta notícia. Banal, então, serei. 

 "Ninguém nasce a odiar outra pessoa pela cor da sua pele, pela sua origem ou ainda pela sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar."
Nelson Mandela (1918-2013)

Transfiguração

Há mulheres que escolhem viver como homens. Na Albânia, as "burneshas", decidem viver como se fossem homens, fugindo a um destino de casamentos arranjados pela família. Para isso, de acordo com um costume ancestral que já data do Séc. XV, fazem voto de virgindade, cortam o cabelo, usam roupas de homem e copiam-lhes os gestos e as atitudes. As "burneshas" perdem a sua condição de mulher mas passam a ter os mesmo direitos que o homem (ter negócios, usar armas, conduzir e votar).
(Fotografia de uma "brunesha" por Jill Peters)

Há mulheres que escolhem ser homens porque só os homens "são"!

quarta-feira, dezembro 04, 2013

Cura

Vem, meu amor 
deixa que te dispa 
deixa que te toque ao de leve 
como se fosses uma borboleta 
Dedos suaves na tua pele 
limparei as tuas feridas 
passarei um bálsamo nas cicatrizes 
Farei com que te cresçam asas... de novo!


 

segunda-feira, dezembro 02, 2013

Miopia


(Blue Monday, Patricia Derks)

Ana era extremamente míope. Tinha por costume tirar os óculos quando saía de casa por se julgar mais bonita sem eles. Assim, via o que lhe parecia, ainda que o que lhe parecia não fosse o que veria sem a miopia...
Os óculos da Ana não lhe tinham trazido muitas alegrias. Era muito mais feliz desde que os deixava na gaveta da cómoda e via tudo como se estivesse numa nuvem.

domingo, dezembro 01, 2013

Das palavras amarelas

(Francis Picabia - Uma mulher feliz) 
 
En el cuarto amarillo

los amantes encienden las palabras.

Qué importa lo que duren, si prenden rápido,

si se tiñe la cama de reflejos de plata, azul, rojo,

naranja, si no suena otra cosa, si los miedos

se escapan y florecen

las quemaduras de la sábana.

Las palabras se afilan

Com fuego de palabras.


Vanessa Pérez-Sauqillo


As palavras dos amantes são feitas de paixão, por isso, ardem e incendeiam.