(Victoria Ivanova)
A rapariga que fabricava sonhos cansara-se da rotina da entrega porta a porta. Doíam-lhe os pés dos caminhos trilhados noite dentro, sonhos empilhados dentro da mochila, alças largas a marcarem-lhe os ombros de vergões vermelhos e dolorosos.
Assim, a rapariga que fabricava sonhos resolveu acumular tarefas e construir, também, barcos de papel. Não de um papel qualquer, que isso não condizia com as fadas, os unicórnios, as princesas e os príncipes, ou qualquer uma das outras criaturas que costumava usar todos os dias, mas sim de folhas lisas, brilhantes, num tom de amarelo a fazer lembrar o ouro. Seria nelas, nas douradas embarcações, que passaria a enviar seres fantásticos, sorrisos, bailados e tudo aquilo que a sua imaginação era capaz de fantasiar.
Mal sabia, a rapariga, que o rapaz que fabricava pesadelos odiava barcos de papel, ainda mais se fossem portadores de ilusões.





