segunda-feira, janeiro 07, 2019

Bordado

(Ana Teresa Barboza)


Era de uma nudez ostensiva e branca, de uma daquelas brancuras onde o emaranhado das veias transparecia acintosamente. Diziam-lhe que devia cobrir-se, evitar expor a olhares alheios uma tal crueza. Sem saber como camuflar-se, aprendeu a bordar, desenhando flores na pele a agulha e linha.


13 comentários:

  1. Os seus escritos é que são verdadeiros bordados.

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  2. As palavras e os pensamentos também se bordam :))


    Bjos
    Votos de uma óptima Terça- Feira.

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  3. Não bordes palavras já gastas
    Borda
    Palavras-adubo
    Palavras-semente
    e mostra
    teu seio a toda a gente

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  4. não sei bordar a minha nudez continua ostensiva e branca
    palavras lindas Maria

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  5. Bonitas palavras, imagem e música ! Obrigado Maria por mais um momento muito agradável !

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  6. Tenho pena de não perceber a letra da música, mas gostei da melodia, que também parecia um bordado!
    As palavras, bem bonitas! A nudez é sempre impactante, não me espanta nada o bordar na pele!
    Boa semana!

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  7. É doloroso ir pela cabeça dos outros... Gostei muito.

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  8. "acintosamente", Maria,
    a meio do geocorporal traçado? Provavelmente rios a azul.
    Podia haver alternativa
    (ou não),
    mas escolheste outra palavra
    decisiva, incisiva - "crueza".
    Daí a razão das agulhas escolhidas. Poderia o corpo preferir
    prenunciar o verbo ferir
    dissimular-se tatuado?
    Dispensava-se a linha.
    Bem sei que a linha alinda
    o tacto do olhar.
    O tacto...
    mas de que cor sem dor?

    Este palavreado, o meu, era dispensável, não fora a minha admiração pelos caminhos que abres às palavras.

    Bj, Maria Eu.

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  9. Bonito!


    Fez-me lembrar o manon des sources. Ugolin apaixonado, cose uma fita da amada na pele sobre o coreção

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