quinta-feira, julho 09, 2015

O pó mágico do tempo


(René Magritte - O falso espelho)

"Se não fosse aquela história (...) teria pensado, numa vida posterior, que tinha sonhado (...). Mas ainda a contam na aldeia e riem-se dela; distanciou-se da versão original. Que coisa boa, o que o tempo faz por nós. Salpica-nos com misericórdias, como se fosse pó mágico das fadas."

 Mantel, Hilary.O Assassinato de Margaret Thatcher.Edições Brilho da Letras, Lisboa, 2015. p. 47


Já viste o Sr. João? Coitado, que velho está, sempre embirrento, com um sorrizinho sarcástico. E com a filha? Um chato! Nunca me esqueço daquele par de estalos que lhe deu naquele Domingo, na vila, quando ela, a pobre, se afastou para ver um vendedor de balões.
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Morreu o Sr. João! Coitado, tão novo, ainda, e tão prestável, sempre com aquele sorriso simpático. E com a filha? Ai, que carinhoso que era! Lembro-me das vezes em que os via a passear ao Domingo na vila, de mãos dadas.


O tempo e a morte parecem ter propriedades mágicas.


20 comentários:

  1. Não fosse o tempo e os seus elásticos e que seria das lápides, dos nomes de ruas e afins..?

    Boa tarde, Maria tu. Como estás? :)

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    1. Teríamos nomes sem memória...

      Boa tarde, JM. Estou bem, obrigada, e tu? :)

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  2. Maria, não nos enganemos com um abraço, com um sorriso, pois os falsos também sabem fazer isso...

    Muito calor, por aqui!:)

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    1. Estejamos alerta!

      Mais fresco, hoje. :)

      Beijos, Legionário. :)

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  3. Provavelmente, ambas são reais. A morte funciona é como um prisma: muda o ângulo de visão de quem recorda a vida de outrém.

    Uma boa tarde, Maria :)

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    1. Talvez assim seja, caro Xil. Possa a memória não adoçar factos que tanto feriram a História da Humanidade, ao menos!

      Beijos e um bom fim-de-semana. :)

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  4. Querida Maria Eu,
    A morte torna-nos, a todos, Santos. É viver os entretantos.
    Um beijo,
    Outro Ente.

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    1. Melhor viver, sim, Caro Ente, ainda que a morte nos possa fazer menos prevaricadores.

      Beijos. :)

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  5. O tempo é (também) um falso espelho retrovisor
    Admite a batota
    de quem olha...

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    1. E quanto batota se faz...

      Beijos, Rogério. :)

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  6. O passado, esse tempo perdido, é sempre recuperado à luz do presente, porque a memória é um tempo invertido. Quando recuperamos o passado através da memória, reinterpretamo-lo e recriamos um sentido. Para a nossa vida e para a vida dos outros. E é esse sentido que nos faz aceitar a efemeridade das coisas e acreditar que, apesar da morte, tudo valeu a pena. É na raiz no passado que encontramos um sentido para a vida. Por isso, o passado tem de ser mitificado e ornamentado com o pó mágico das fadas.

    Um beijinho e um dia feliz, Maria :)

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    1. Recriar o passado a uma luz mais mágica aconchega-nos melhor.

      Beijos, Miss Smile, e um excelente fim-de-semana. :)

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  7. Bom dia.
    O tempo e a morte servem para queimar muita vida às pessoas que, por falta de tema, se pelam por dar à língua. Umas vezes dizem "bem" outras mal. É como ler o jornal!
    Bj.

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    1. Fizeste-me lembrar as comadres e os compadres no final das missas de aldeia, aos grupos, no adro.

      Beijos, Agostinho. :)

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  8. Viver e morrer, cada tempo a seu compasso.
    Bom fim se semana.
    Beijinho,
    Mia

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    1. E a memória a registar.

      Beijos, Mia, e um bom fim-de-semana para ti, também. :)

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  9. Puxa, o primeiro trecho é realmente uma verdade... Ainda bem.

    Bjos

    http://chuvadecamelias.blogspot.com.br/

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    1. ÀS vezes é bom, sim.

      Beijos, Carlinha. :)

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  10. Olá, Maria,
    O tempo, para além de tantas outras coisas, também traz um "pó mágico" escondido na manga. A morte, essa, pelo respeito que exige, obriga-nos à condescendência que se alia, ora à hipocrisia, ora à verdadeira comiseração, ambas boas catalisadoras, e produz-se o milagre do esquecimento das coisas menos boas.
    bj amg

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    1. Que o tempo possa fazer esse milagre, então, com todas as coisas. :)

      Beijos, Carmem. :)

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