quarta-feira, abril 16, 2014

Da exuberância contida do amor

"Eu pareço entusiástica, exuberante, mas é só por fora. É a minha forma de me libertar das tensões que as pessoas mordem dentro de si. Interiormente, tenho a imobilidade de um ídolo oriental. Mas não sou fria. Sou até um ser profundamente afectivo. Coloco o amor na sua totalidade - o Amor que compreende Eros, Ágape (ou amor sublime), Líbido, e Fília (amizade). Este amor é a própria essência da cultura portuguesa."  
Natália Correia

(Francis Giacobetti)

A Arte de Ser Amada  

Eu sou líquida mas recolhida
no íntimo estanho de uma jarra
e em tua boca um clavicórdio
quer recordar-me que sou ária

aérea vária porém sentada
perfil que os flamingos voaram.
Pelos canteiros eu conto os gerânios
de uns tantos anos que nos separam.

Teu amor de planta submarina
procura um húmido lugar.
Sabiamente preencho a piscina
que te dê o hábito de afogar.

Do que não viste a minha idade
te inquieta como a ciência
do mundo ser muito velho
três vezes por mim rodeado
sem saber da tua existência.

Pensas-me a ilha e me sitias
de violinos por todos os lados
e em tua pele o que eu respiro
é um ar de frutos sossegados.

Natália Correia, in "O Vinho e a Lira"


O Amor que se deseja inquieto e, porém, calmo.
O Amor que se deseja calmo e, porém, inquieto.

8 comentários:

  1. A suavidade do desejo que se quer forte e poderoso talvez. :)
    beijinhos Maria :)

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    1. Sempre a dualidade... :)

      Beijinhos Marianos, I! :)

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  2. Se é na subtileza, que reside a exuberância.
    Busco ressonância, nos ideais do amor.

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    1. :)))))

      Beijinhos Marianos, Leginário!

      * Boas procissões! ;)

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  3. Uma busca e encontros repletos de sensações.

    Muito dramática, intensa, a Natália Correia.

    Beijinhos

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    1. Muitíssimo! Por isso gosto dela, também!

      Beijinhos Marianos, Pérola! :)

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  4. Maravilhoso! Ocorre-me que as pessoas que escrevem nunca morrem. Basta que continue a haver quem as leia.
    Não conhecia Natália Correia assim.
    Um beijinho, querida Maria.

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  5. Concordo contigo. As pessoas que escrevem nunca morrerão enquanto foram lidas!
    A Natália era uma força da natureza!
    Beijinhos Marianos, Susaninha! :)

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