terça-feira, outubro 07, 2014

Viver


(Pere Borrell Del Caso)

A Coragem no Gesto de Viver  

O solitário gesto de viver
não demanda a coragem que há na faca,
na ponta do punhal e até no grito
de quem fala mais alto e está coberto
de razões, de certezas, de verdades.
O gesto de viver se oculta em dobras
tão íntimas do ser, que o desfazê-las
é mais que indelicado, é violência
que nem sequer se pode conceber.
O gesto de viver é só coragem,
mas, de tal forma próprio e incomparável,
que não se exprime em verbo, imagem, mímica
ou qualquer outra forma conhecida
de contar, definir ou explicar.
A coragem no gesto de viver
está em coisas simples, por exemplo,
na diária decisão de levantar.
E mais, em se vestir e trabalhar
por entre espadas, punhos e navalhas,
peito aberto, sem armas, passo firme,
e à noite, ainda intacto, regressar.

Reynaldo Valinho Alvarez, in 'O Solitário Gesto de Viver'


Viver, sem medo, de peito aberto às balas!

8 comentários:

  1. Viver sempre. Independentemente das feridas e dos desvios :)
    Beijinhos Maria :)

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    1. Tem que ser assim...

      Beijinhos Marianos, I! :)

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  2. É...viver é ir e voltar, embora se teçam muitas considerações sobre o que vale mais: um cobarde vivo ou um herói morto. Um cobarde vivo na sua cobardia diária ou um herói morto e sem descanso para gáudio de muito cobarde.
    Beijinho Maria

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    1. Viver é uma aventura arriscada...

      Beijinhos Marianos, Mariazinha! :)

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  3. Muito triste, falar de "viver" e não citar Lili de Caneças!! :P :P :P

    Beijinhossssssssssssss**********************

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    1. Falar de quem? :P

      Beijinhos Marianos, miúdo! :)

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  4. Respostas
    1. Viver sempre também cansa.

      O sol é sempre o mesmo e o céu azul
      ora é azul, nitidamente azul,
      ora é cinzento, negro, quase-verde...
      Mas nunca tem a cor inesperada.

      O mundo não se modifica.
      As árvores dão flores,
      folhas, frutos e pássaros
      como máquinas verdes.

      As paisagens também não se transformam.
      Não cai neve vermelha,
      não há flores que voem,
      a lua não tem olhos
      e ninguém vai pintar olhos à lua.

      Tudo é igual, mecânico e exacto.

      Ainda por cima os homens são os homens.
      Soluçam, bebem, riem e digerem
      sem imaginação.

      José Gomes Ferreira

      Beijinhos Marianos, MA! :)

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