quinta-feira, fevereiro 06, 2014

O teu nome, palavra primordial

"[antes]
as palavras servem para abismar, para escavar o
silêncio. com uma língua desesperada te abro; tenho 
sede e fome  e eu de ti, meu único e inicial verbo,
palavra de palavra.
hei-de rasgar-me todo, verso a verso  por mais
dentro de mim. e quando a última palavra partir o meu
nome, lá estará o teu, Deus só  de mim."
 
Pedro Sena-Lino, in Biofagia

(
 ( Betty Bird, actriz Australiana, Estudio Manasse, cerca de 1926)

Acode o teu nome aos meus lábios
palavra articulada entre sorrisos
letra a letra, húmida de saliva
desenhada a beijos na boca
vocalizada em longos gemidos 
gritada, aguda, em horas rubras.

Maria, Eu


6 comentários:



  1. Escrevi teu nome no vento
    Convencido que o escrevia
    Na folha dum esquecimento
    Que no vento se perdia

    Ao vê-lo seguir envolto / Na poeira do caminho
    Julguei meu coração solto / Dos elos do teu carinho

    Em vez de ir longe levá-lo / Longe, onde o tempo o desfaça
    Fica contente a gritá-lo / Onde passa e a quem passa

    Pobre de mim, não pensava / Que tal e qual como eu
    O vento se apaixonava / Por esse nome que é teu

    E quando o vento se agita / Agita-se o meu tormento
    Quero esquecer-te, acredita / Mas cada vez há mais vento

    Carminho

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    Respostas
    1. Muito bonito, o poema!

      Beijinhos Marianos! :)

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  2. Um dia falaremos por gestos

    na memória das palavras

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  3. A foto da actriz é magnífica... e nela adivinham-se os lábios rubros, como as horas...
    Belíssimo, Maria :)

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  4. Rubros, os lábios, dos beijos das horas de igual e intensa cor!

    Beijinhos Marianos, Xil! :)

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