quarta-feira, outubro 16, 2013

Ausência

Que rosas fugitivas foste ali:
Requeriam-te os tapetes - e vieste...
- Se me dói hoje o bem que me fizeste,
É justo, porque muito te devi.

Em que seda de afagos me envolvi
quando entraste, nas tardes que apareceste -
Como fui de percal quado me deste
Tua boca a beijar, que remordi...

Pensei que fosse o meu o teu cansaço -
Que seria entre nós um longo abraço
O tédio que, tão esbelta, te curvava...

E fugiste... Que importa? Se deixaste
A lembrança violeta que animaste,
  Onde a minha saudade a Cor se trava?...


(Mário Sá Carneiro)
 
   
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
   (Nadir Afonso, A gaivota)
Que importam as lembranças se não estás?
Se o teu perfume  já não permanece
na minha pele depois das horas roxas?
 

4 comentários:

  1. Se as lembranças já não importam, solta as amarras, deixa de contemplar os tons crepusculares e voa em direcção a novos horizontes...
    Lá está... a Luz... sempre essa temática recorrente :)

    Beijo

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    1. As lembranças ficam sempre, doam ou não. :) Quanto á Luz, essa também permanece! :)

      Beijinhos Marianos! :)

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  2. Sofremos muito com o pouco que nos falta e gozamos pouco o muito que temos

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    1. Tens razão, Legionário! :)))

      Beijinhos Marianos! :)

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