terça-feira, novembro 22, 2016

Estio


O estio que finalmente chegara não impedia a nespereira de se enfeitar de flores. Há muito que a árvore crescia, generosa em frutos amarelos agridoces, a ombrear-lhe a janela do quarto. Nela moravam pardais, cantavam melros e arrulhava o casal de rolas que lhe embalava as sestas preguiçosas das férias de Verão. Encostada ao tronco robusto, já com cicatrizes de podas e uma ou outra riscadas pela Maria Inês e pelo José, estas em forma de coração trespassado por uma seta ou da palavra "amo-te" ladeada pelos nomes de ambos, encontrava-se a escada de madeira. Pobre dela, abandonada ao frio e ao calor, agora sem outro préstimo que o de lhe recordar o tempo em que o pai a subia para colher as nêspera mais bonitas para a sua menina.


22 comentários:

  1. Maria!
    I love your taste.
    Ever since I saw LOW perform in SF ten years ago,
    I've loved what these two create.
    One of my favorite groups.
    Time to pull out the LOW Christmas CD . . . wonderful.
    Thanks, Love . . .
    xxx

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  2. boa noite, Maria.
    nêsperas doces e sumarentas, a lembrar um tempo que há de vir outra vez. assim os ciclos se cumpram.

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    1. Boa noite, Mia. :) O ciclo da vida.

      Beijos :)

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  3. Fazes-me recordar coisas boas.
    Subir-lhe ao alto do cocuruto onde elas são mais belas, coradas, tirar-lhes a pele e comê-las.
    Fazia-o quando era ganapo, Maria.
    Muito boa noite.

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    1. :))) E sentarmo-nos num ramo a comê-las e a atirar os caroços ao garotos que passavam?
      É bom recordar a infância!

      Beijinhos, Agostinho, e uma excelente noite, com sonhos de menino. :)

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  4. Gosto de nêsperas, quando doces... muito doces.
    Ali, na horta em frente de casa, a nespereira está agora em flor. :)

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    1. Sim. Por aqui também estão floridas!

      Beijos, Luísa :)

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  5. Nunca tive a oportunidade
    de desenhar, numa árvore
    um coração e os nomes meu e dela
    não que me faltasse o amor
    mas tão só e apenas
    porque nunca tive um quintal onde houvesse uma nespereira

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    1. Desenhaste-os na alma. Isso é que importa!

      Beijinhos, Rogério :)

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    1. Tempos de alegre inocência.

      Beijinhos, Pedro, e obrigada :)

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  7. Maria, as recordações da infância são um universo que se dilata e domina a vida inteira, e todos os jardins desse tempo são o jardim do paraíso…

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    1. Dourados, os tempos de meninice.

      Beijinhos, Legionário :)

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  8. e eu que adoro nêsperas e pardalitos :)

    beijinho Maria

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  9. Estio é uma palavra que gosto, gostei muito do texto, aqui estamos no outono, chuva e frio, bjs

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    1. Um Outono que começa a esfriar...
      Obrigada, Zulmira!

      Beijos :)

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  10. Os pais têm um dom, o de cuidar das suas meninas :) Beijinho

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    1. E nunca esquecemos esse dom, pois não?

      Beijos, GM :)

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  11. Respostas
    1. Obrigada, Poeta! Pela visita e pelas palavras! :)

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