Este, é o sonho da Carla:
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quarta-feira, julho 13, 2016
sexta-feira, julho 08, 2016
Herberto Helder com pronúncia do Norte (Movimento "Queremos ouvir os bloggers a declamar poesia".)
(...)
A terra é alta.
Tu és o nó de sangue que me sufoca.
Dormes na minha insónia como o aroma entre os tendões
da madeira fria. És uma faca cravada na minha
vida secreta. E como estrelas
duplas
consanguíneas, luzimos de um para o outro
nas trevas.
Herberto Helder

Vincent van Gogh
Movimento "Queremos ouvir os bloggers a declamar poesia", criado pelo Pipoco Mais Salgado.
terça-feira, julho 05, 2016
Fomos mãos. Somos flores.
(daqui)
Nós fomos
mãos,
esvaziámos a treva, encontrámos
a palavra, que subia do verão:
flor.
Flor - uma palavra de cegos.
Os teus olhos e os meus olhos:
vão em busca de água.
Paul Celan
Nós somos
flores,
nascemos da luz, encontrámos
as mãos, que se tocaram:
carícia.
Carícia - o toque dos amantes.
As tuas mão e as minhas mãos:
vão em busca do amor.
Maria Eu, depois de ler Paul Celan
Maria Eu, depois de ler Paul Celan
sábado, julho 02, 2016
Palmas ao acordar
Aos Domingos, as palmas chegavam mais tarde, lá pelas oito e meia. Era ao som de palmas que acordavam, nas camas de ferro que se perfilavam em linhas de quinze, encostadas às paredes laterais do dormitório. Palmas e rezas, claro, que as freiras não brincavam em serviço e, mesmo rezando, puxavam, em movimentos bruscos, os cobertores daquelas que se aninhavam no torpor do sono, enquanto alteavam a voz na "Avé Maria".
terça-feira, junho 28, 2016
Joana
Foi numa das suas rápidas incursões à vila para se abastecer de café e sardinha para assar que encontrou Joana.
Havia pelo menos cinco anos que se não viam. Na infância, ambas corriam descalças, sandálias esquecidas ao pé de um qualquer muro, nos campos que ora as escondiam, de grandes as canas enfeitadas de espigas de milho, ora as revelavam ao longe, no meio das folhas rasteiras dos batatais.
Às vezes, atreviam-se a atravessar a estrada para chapinharem na água tépida que lambia a margem do rio, onde os rapazes, sempre mais intrépidos, mergulhavam.
A vida separara-a de Joana aos quinze anos. Partira para a cidade grande, estudara, por lá ficara a trabalhar, enquanto ela se deixara ficar, correndo nos campos de mãos dadas com o José, casando com o António, tendo dois filhos, mulher do lar.
Tão bonita, a Joana. Viram-se ao longe e voaram a apertar-se num abraço.
Foi ao olhá-la no fundo dos olhos que a soube infeliz.
Muito conversaram. Na despedida, perguntou-lhe "Como estás?" e ela, quase em segredo, sussurrou-lhe ao ouvido "Tenho saudades do José!"
quarta-feira, junho 22, 2016
O amor intermitente
(Pablo Picasso)
Acordaram um amor intermitente. Amordaçavam-no, deixavam-no à míngua de alimento num qualquer lugar frio e escuro, para o libertarem de quando em vez, furioso e voraz, quase os matando de tanta intensidade.
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