Branca costumava levantar-se cedo. A cada manhã, mal se ouviam os primeiros trinados do pintassilgo que resolvera fazer sala na varanda do seu quarto, erguia-se de um salto, como se a noite lhe assombrasse o calor dos lençóis. Não tardava a estar pronta, pequeno almoço de torradas e café com leite tomado, e a casa abria-se de para em par, janelas escancaradas, deixando que a voz de Branca se juntasse à do pintassilgo numa cantoria desarvorada.
- Oh, menina, que me cansas! dizia a mãe. E o teu pai ainda está deitado, coitado, nem o deixas descansar!
Mas Branca pouco caso fazia e, quando muito, saía para o quintal e ia sentar-se debaixo da nespereira onde o pássaro cantor tinha o ninho, calando a voz mas cantando na mesma.





