Às vezes, basta um céu que entre mar adentro. Ou será um mar que entre céu adentro?
domingo, janeiro 04, 2015
Cruzinha (post com bolinha vermelha)
(Dina Goldstein)
CRUZINHA
Disseram-me mas eu não acredito que um tempo era tudo passado, os homens e as mulheres encontravam-se faziam ou não faziam amor e depois sorriam. Os homens, que raio, as mulheres, que raio, para mais a fazer ou não fazer. Que vagares e que modos os dessa gente sem propósitos, sem ambições nem carreiras, dispostos ao tempo e a sorrir como se o mundo fosse de alegrias.
Eu sei bem que é tudo assim como se vê, uns e outros e outras com agendas escondidas nos cus a fazer cruzinhas muito objectivas. Chefe de duas pilinhas e um telefone, cruzinha. Coordenador de tristezas e tempo deitado ao tempo, cruzinha. CEO da puta que me pariu, cruzinha. Depois um homem, uma mulher, copos e uma festa de escritório, o vinho, o Lopes que engraçado, vives aqui sozinho? Que casa tão grande, também adoro o Cole Porter, dá-me matulão, ai que doida.
Os cadernitos pretos estão sempre ao fundo da cama, o primeiro a acordar que o apanhe, é um igual ao outro, no quadrado branco à frente das letritas: já te fodi, cruzinha.
Nuno Camarneiro
Cruza as pernas, cruza o olhar, cruza o teu espaço com o meu. Cruzamos corpos, fluídos, gemidos e incentivos.
Simples. Tão simples. No final, basta uma cruz.
"Já te fodi, cruzinha."
sábado, janeiro 03, 2015
O meu amor
(E. Munch)
O meu amor é um ribeiro; agitado, intenso, em correria quase pueril.
O meu amor é o vento norte; forte, em rodopio, agreste e devastador.
O meu amor é o sol de Verão; luminoso, quente, a arder na pele.
O meu amor é a chuva de Inverno; copioso, penetrando-me o corpo até aos ossos.
O meu amor é sorrisos, lágrimas, ternura, mãos trémulas, ciúme, paixão, coração em tropel, "(in)completude". O meu amor é assim porque é só meu e assim o sinto, apenas eu.
Liberdade(s)
"There are many ways to be free. One of them is to transcend reality by imagination, as I try to do.” Anaïs Nin
(Há muitas formas de sermos livres. Uma delas é transcender a realidade através da imaginação, como eu tento fazer.)
sexta-feira, janeiro 02, 2015
Os teus olhos
(Marc Chagall)
A Curva dos Teus Olhos
A curva dos teus olhos dá a volta ao meu peito
É uma dança de roda e de doçura.
Berço nocturno e auréola do tempo,
Se já não sei tudo o que vivi
É que os teus olhos não me viram sempre.
Folhas do dia e musgos do orvalho,
Hastes de brisas, sorrisos de perfume,
Asas de luz cobrindo o mundo inteiro,
Barcos de céu e barcos do mar,
Caçadores dos sons e nascentes das cores.
Perfume esparso de um manancial de auroras
Abandonado sobre a palha dos astros,
Como o dia depende da inocência
O mundo inteiro depende dos teus olhos
E todo o meu sangue corre no teu olhar.
Paul Éluard, in "Algumas das Palavras"
Tradução de António Ramos Rosa
É quando percorro a curva dos teus olhos que se iluminam os meus.
quinta-feira, janeiro 01, 2015
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