terça-feira, março 24, 2015

Quando eu morrer



Quando eu morrer, não chorem. Pelo menos, não perto de mim. Estarei lá, acima do meu corpo, vendo(-me)-nos e quererei os risos, os beijos, os abraços. Quererei as palavras de sempre, as críticas e os elogios de sempre. Não me tragam flores. Essas, dêem-mas em vida que eu adoro flores! Reduzam-me a cinzas. Arderei em morte como ardo em vida, em alterosas chamas. Depois, soltem-me ao vento norte, numa praia de águas frias, gaivotas ruidosas e dunas povoadas por recordações de namorados. 
Quando eu morrer, morrerei amando. Por isso, não esqueçam o meu amor.


18 comentários:

  1. Maria Eu,
    Seja.
    Se eu morrer, façam o que quiserem. Estarei morto.
    Risos, beijos, abraços e flores, para si,
    Outro Ente.

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    1. Verdade, estaremos mortos. Porém, tenho assistido a tantos rituais de morte absurdos ultimamente que me deu para isto, para querer destinar o que farão quando eu morrer.

      Beijos, Ente.

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  2. Sabes?
    Conheço tantos imortais com os mesmos desejos que tu...
    Hoje partiu mais um

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    1. A partir de uma certa idade, começamos a ter perdas em demasia.

      Beijos, Rogério. :)

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  3. Por que há-de ser a morte um macabro negócio?
    Na origem está o medo. Medo de almas penadas,frustradas...
    Com flores, placas devotas, epitáfios, velas, iluminação e uma pedra em cima (não vá acontecer terem ideias) se compram favores.

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  4. Dos textos mais belos que já escreveste...
    Tocas fundo na minha alma... talvez por comungarmos dos mesmo desejos e por amarmos "a mais" da conta.

    Beijos sem dizer adeus

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  5. Olha que coisa essa, preocupações sobre a tua morte.
    Deixa-te disso minha querida Maria.
    À vida!

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  6. É preciso aceitar o amor e a morte, a separação e a tristeza, a falta de lógica, a falta de justiça, a falta de solução. Quantos problemas do mundo seriam menos pesados se tivessem apenas o peso que têm em si , isto é, se os livrássemos da carga que lhes damos, aceitando que não têm solução.
    Não adianta fugir com o rabo à seringa. Muitas vezes nem há seringa. Nem injecção. Nem remédio. Nem conhecimento certo da doença de que se padece. Muitas vezes só existe a agulha.
    Dizem-nos, para esquecer, para ocupar a cabeça, para trabalhar mais, para distrair a vista, para nos divertirmos mais, mas quanto mais conseguimos fugir, mais temos mais tarde de enfrentar. Fica tudo à nossa espera. Acumula-se-nos tudo na alma, fica tudo desarrumado.
    O esquecimento não tem arte. Os momentos de esquecimento, conseguidos com grande custo, com comprimidos e amigos e livros e copos, pagam-se depois em condoídas lembranças a dobrar. Para esquecer é preciso deixar correr o coração, de lembrança em lembrança, na esperança de ele se cansar.

    Maria gostei imenso do seu texto, ontem de tarde estive no local da foto do seu Post, e senti-me mais vivo que nunca!:)

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  7. Há lugares assim...

    Beijo, Legionário. :)

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  8. Bonito! Mas urge pensar em viver, não em morrer. Depois que partimos acabou-se o querer :) Abraço Maria

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